Três restaurantes em Praga comentados por um chef-turista

Veja as impressões de Marcelus Vieira, chef e viajante gastronômico de primeira que passeou pela capital tcheca recentemente
Onde comer  /   /  Por Gabe Britto

Marcelus Vieira não é apenas um viajante que gosta de comer bem. Ele é um chef profissional, sócio de um negócio que exige viagens frequentes pelo interior da Itália, da França e da Espanha (o Al Mondo), experimentando só o que existe de melhor neste lugares.

Marcelus Vieira

O Marcelus em ação na cozinha (foto: arquivo pessoal)

Depois de um período de trabalho no Piemonte, em outubro de 2016, Marcelus aproveitou a viagem para descansar por 4 dias em Praga. E entre as caminhadas pelas regiões turísticas, ele obviamente dedicou um bom tempo para conhecer a comida tcheca.

O veredito final não poderia ser melhor: “me surpreendeu muito” e “a melhor carne que comi na Europa” foram algumas das palavras que ele usou enquanto conversávamos para este post, além de um belíssimo “pretendo voltar um dia, para conhecer outros lugares”.

Aqui embaixo estão os 3 restaurantes que o Marcelus mais gostou durante os poucos dias dele na cidade: uma cervejaria com comida tcheca e clima de boteco, um açougue-hamburgueria e um estrelado no Guia Michelin.

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Três restaurantes em Praga, por Marcelus Vieira

Restaurante Lokál

Foi o meu primeiro contato com a comida e a bebida tcheca, logo que cheguei na cidade. Quando entrei, fiquei surpreso pelo tamanho, pela grande quantidade de clientes às 18h e pela decoração criativa, com desenhos nas madeiras que forram as paredes.

Também admirei o cuidado com a cerveja (Pilsner Urquell) tirada direto do barril, pura, sem todos os conservantes das versões em garrafas. O barman teve algum problema com o sistema de encanamento e chegou desmontar e montar tudo, tirando cervejas e jogando fora até conseguir encher o copo do jeito que o padrão de qualidade deles exige.

Tipos de cerveja no restaurante Lokál, em Praga

Cerveja é assunto muito sério no Lokál (foto: Marcelus Vieira)

É claro que ela veio deliciosa e fez o Lokál virar uma referência da bebida para mim. Entrei em outros lugares depois e sempre percebi a diferença.

No fim, gostei tanto dele e achei os preços tão justos e honestos que acabei indo 3 vezes, pedindo pratos diferentes:

Peito de frango frito (que parece um schnitzel), com salada de batatas.

Peito de frango frito do Lokál, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Presunto cozido com sour cream.

Presunto com sour cream, no restaurante Lokál, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Goulash expresso, servido com knedlík. [Nota do blogueiro: os pratos expressos do Lokál são servidos em até 5 minutos; knedlík é um pão cozido no vapor, veja aqui.]

Goulash (gulash) no restaurante Lokál, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Salsicha caseira com raíz-forte e mostarda.

Salsicha no restaurante Lokál, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Pescoço de porco com redução da carne, acompanhado de beterraba.

Pescoço de porco, no restaurante Lokál, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Queijo frito com molho tártaro caseiro.

Sopa de frango.

Além do melhor lugar para beber cerveja, o Lokál me pareceu ser perfeito para ver os tchecos se divertindo, descontraindo e bebendo depois do trabalho. E como ele tem várias filiais espalhadas por Praga, você pode simplesmente parar no meio de um passeio turístico, comer e beber bem e seguir adiante.

 

Açougue e hamburgueria Naše maso

Foi o lugar que mais gostei. Achei incrível, surpreendente.

A ideia de fazer uma hamburgueria dentro de um açougue é ótima. Me lembrou o Mercado de Rialto, em Veneza, onde eu via peixes maravilhosos e ficava com vontade de provar, mas não havia ninguém para preparar. No Naše maso [Nota do blogueiro: a pronúncia é “náshe másso”] você vê carnes que dão água na boca e pode comer tudo ali mesmo, se quiser.

A qualidade da carne também foi algo que não esperava. É altíssima, superior às melhores que provei na Itália (e que custavam 50 EUR por quilo no açougue).

São carnes com gorduras que não ficam apenas na capa, mas entremeadas, por dentro, dando mais sabor e maciez. É algo que mostra a excelência dos fornecedores do Naše maso, porque depende da forma de criação do gado. E eles ainda deixam algumas maturando por dezenas de dias, o que melhora ainda mais.

A apresentação também é ótima. É tudo higiênico, perfeito. É difícil achar um açougue com apresentação tão boa, mesmo em cidades muito maiores como São Paulo.

Gostei tanto que acabei indo duas vezes. Teria ido de novo no último dia, mas era feriado e estava fechado.

No primeiro dia, pedi um rib eye servido com pão e uma linguiça feita com 3 carnes misturadas: porco, vitelo e gado. Tudo perfeito.

Rib eye no Nase Maso, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Na segunda visita, pedi uma seleção com 3 salsichas igualmente deliciosas (mas não lembro o que havia em cada, só lembro que elas ficavam no meio do caminho entre salsicha e linguiça), um steak tartare maravilhoso e, para terminar, o prato que mais me encantou: um hambúrguer com tamanho ideal e sem aquele monte de coisas que colocam em hambúrgueres, apenas a carne cheia de sabor, uma fatia de pepino, uma fatia de cebola roxa crua e sal. Fantástico. Ficou na minha memória.

Salsichas no Nase Maso, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Steak tartare no Nase Maso, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Hamburguer no Nase Maso, em Praga

O hambúrguer da vida do Marcelus (foto: Marcelus Vieira)

O atendimento é bem informal, meio caótico e sempre cheio, mas o pessoal se entende. Você só precisa ficar atento para fazer o seu pedido no caixa antes de ir para o balcão.

Os preços foram até baratos, considerando que estamos falando de carne de tão alta qualidade na EuropaVoltarei para comer o meu hambúrguer de novo e para experimentar a seleção de carnes de porco, que não consegui desta vez.

 

Restaurante Field

O Field é um dos 3 restaurantes de Praga com estrelas no Guia Michelin (a referência mais respeitada do mundo da gastronomia) e é uma experiência excelente para quem ama o assunto e busca algo requintado, feito com técnicas avançadas.

O ambiente é lindo, bem organizado e decorado com elementos que lembram o campo (porque é daí que vem o nome Field), um cuidado que também está nos pratos, apresentados de forma impecável e criativa, com composições visuais belíssimas.

O cardápio é pequeno e a carta de vinhos é muito boa. O jantar foi acompanhado de um riesling alemão, uma champanhe e um Brunello di Montalcino, todos pedidos em taças individuais – o que é uma característica ótima do lugar, especialmente para quem não quer pedir garrafas inteiras.

Outra característica ótima é que o Field serve à la carte, ao contrário de muitos restaurantes com estrelas no Michelin, onde os pratos vêm no menu degustação. Para quem fica com dificuldade de comer muito quando já está chegando no final de uma viagem e para quem não quer ou não pode gastar muito, é perfeito.

Justamente tirando proveito disso, pedi apenas o básico (abaixo).

Entradas:

Steak tartare com uma fatia fina de carne no topo e esferas de azeitonas embaixo, acompanhado de uma bolacha de arroz (que ficava no lugar do pão que normalmente é servido com o steak tartare tcheco, chamado de tatarák).

Steak tartare do restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Creme de foie gras (com uma textura que lembrava um sorvete) com gelatina de frutas vermelhas, sementes de beringela, aged beef, pistache e sorvete de queijo, acompanhado de um pão frito doce e um leve suco de cereja.

Entrada no restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Pratos principais:

Beterraba recheada com coelho, servida com um caldo de pato, trufas e laranja. Maravilhoso. Muito, muito bom.

Prato no restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Coelho, redução da carne do coelho, beringela e purê de favas.

Prato no restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Pigeon com cogumelo chanterelle, redução da carne, purê de abóbora e maçã seca.

Prato no restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Sobremesas:

Queijo de ovelha, sorvete de rosas e sambucus (elderberry).

Sobremesa no restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Pêra cozida no vinho, com alcachofra de Jerusalém, nougat de sorvete e cumaru.

Sobremesa no restaurante Field, em Praga

Foto: Marcelus Vieira

Tudo estava muito saboroso e os preços não foram exorbitantes para algo deste nível. Recomendo muito para quem quer fazer uma festa gastronômica em Praga.

 

Para conhecer mais restaurantes deliciosos em Praga, compre o guia 50 Lugares Onde Comer e Beber Bem em Praga. O Marcelus descobriu os restaurantes acima com as dicas do autor dele (eu mesmo).

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Ficou curioso com o tal negócio do Marcelus, que eu citei lá em cima? Então cheque o site dele para entender. E, se puder, não perca a chance de participar de alguma edição do Al Mondo nos melhores cantinhos da Europa.

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