Ponte Carlos: história, lendas, guia de estátuas e dicas

Tudo que você precisa saber (e algumas coisas mais) sobre uma das atrações mais maravilhosas de Praga
Destaque, O que fazer  /   /  Por Gabe Britto

A Ponte Carlos é uma das atrações turísticas mais famosas de Praga, talvez até a mais popular de todas, e é certo que você vai passear por ela durante a sua visita à cidade.

Tanto sucesso tem vários motivos. A Ponte Carlos (chamada de Karlův most ou Charles Bridge, nas informações turísticas) é a mais antiga do país, foi construída pelo rei mais festejado pelos tchecos, é cheia de lendas e é uma das pontes mais lindas da Europa.

Torre da Ponte Carlos com vista para o Castelo de Praga

Ponte Carlos vista da Torre da Ponte da Cidade Velha, com o castelo ao fundo: você vai passar por aqui

Atravessar o rio Vltava caminhando por ela, pisando nas suas pedras que testemunharam tantas histórias, com seus 30 santos e com o cenário de Praga ao redor, é uma sensação emocionante e difícil de descrever.

Mas, como eu disse, você certamente vai passar por ela, então vai ter a chance de sentir tudo isso pessoalmente.

 

Ponte Carlos: história

Tudo começou exatamente às 5 horas e 31 minutos do dia 9 de julho de 1357.

Supersticioso, o rei Carlos IV escolheu esse momento a dedo e astrologicamente, formando números ímpares sequenciais que se mantêm iguais quando lidos de trás para frente: 1357 9/7 5h31.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Carlos IV na praça que fica numa das extremidades da ponte

Estátua de Carlos IV na praça que fica numa das extremidades da ponte

Nesse minuto tão preciso, o próprio rei colocou a pedra fundamental da ponte que substituiria a antiga travessia do rio Vltava e que havia sido levada durante uma enchente anos antes. Até então, a nova ligação entre a Cidade Velha e o atual bairro Malá Strana seria chamada apenas de Ponte de Pedra ou Ponte de Praga.

Foram 45 anos de obras até que ela fosse terminada, em 1402. Nem o rei, nem o arquiteto Petr Parléř (o mesmo da Catedral de São Vito, dentro do Castelo de Praga) viveram para atravessar os seus 516 metros e 16 arcos depois de totalmente prontos. De qualquer maneira, eles não teriam visto a ponte como nós vemos hoje, já que a única decoração naquela época era uma cruz de madeira, onde atualmente existe uma estátua de Cristo crucificado.

Ponte Carlos, em Praga: Jesus crucificado, colocado no lugar onde ficava a cruz de madeira

Jesus crucificado, colocado no lugar onde ficava a cruz de madeira

Desde a colocação da pedra fundamental até hoje, muita água correu por baixo dela e muitas coisas aconteceram em cima.

Antes mesmo de ficar pronta, a Ponte Carlos viu João Nepomuceno (sim, o santo) ser jogado de seu parapeito direto para o rio, por exemplo.

Depois foi palco de batalhas, ganhou a decoração atual, foi parcialmente destruída algumas vezes, foi renomeada em homenagem ao seu fundador e muito mais.

Veja os eventos mais marcantes:

1393 – João Nepomuceno, vigário-geral do arcebispo de Praga, é jogado no rio. Ele virou santo em 1729.

Ponte Carlos, em Praga: imagem de São João Nepomuceno

João Nepomuceno jogado ao rio, na placa embaixo da estátua dele

1432 – Enchente leva 5 pilares da ponte.

1496 – Um dos pilares cai.

1591 – Torre da Ponte na Malá Strana ganha a aparência atual.

1621 – As cabeças de 12 líderes revolucionários são penduradas na Torre da Ponte da Cidade Velha. Elas ficariam ali por 10 anos.

1648 – Praguenses constróem barricadas na Torre da Ponte da Cidade Velha e impedem a invasão dos suecos.

Ponte Carlos, em Praga: representação da batalha contra os invasores suecos

Representação da batalha contra os invasores suecos, vista a partir da Torre da Ponte da Cidade Velha

1683 – Primeira estátua é colocada na ponte: São João Nepomuceno (veja mais abaixo).

1748 – Enchente danifica pilares e a ponte é fechada.

1841 – Uma segunda ponte é construída sobre o Vltava e a Ponte Carlos deixa de ser a única ligação entre o Castelo de Praga e a Cidade Velha.

1848 – Outra barricada na Torre da Ponte da Cidade Velha, desta vez contra austríacos. Várias estátuas foram danificadas.

1870 – É batizada com o nome de Ponte Carlos.

1890 – Enchente destrói outros pilares da ponte.

Ponte Carlos: destruída na enchente de 1890

A destruição de 1890 (autor desconhecido / domínio público)

1905 – Primeiro bonde elétrico passa pela ponte (mais tarde, ainda passariam ônibus e carros).

Ponte Carlos, em Praga: bonde passando

O bonde passando perto da Torre da Ponte da Malá Strana (autor desconhecido / domínio público)

1923 – A estátua mais moderna é instalada: São Cirilo e São Metódio

1939-1945 – Com a República Tcheca invadida pelos nazistas, bandeiras com a suástica passam a ser vistas na ponte.

Ponte Carlos, em Praga: nazistas desfilam na ponte

Jovens nazistas desfilam pela ponte, em 1939 (autor desconhecido / domínio público)

Em 1965, a ponte voltou a ser exclusiva para pedestres. Sorte nossa, que hoje podemos passear por tudo isso calmamente, ouvindo músicos, curtindo trabalhos de artistas e aproveitando cada passo nesse lugar tão incrível.

 

Ponte Carlos: as estátuas e suas lendas

As estátuas que hoje deixam a Ponte Carlos tão linda não existiam na época da sua construção.

Elas foram colocadas ali principalmente entre os séculos 18 e 19, esculpidas por artistas respeitados e pagas por nobres, por universidades, por instituições e, é claro, pela própria igreja.

A primeira foi a de São João Nepomuceno, em 1683. A última foi a de São Cirilo e São Metódio, em 1923. Mas a maioria das obras que vemos hoje são réplicas. As originais foram sendo substituídas à medida em que precisaram de restauração e acabaram guardadas permanentemente no Lapidário do Museu Nacional (no bairro Holešovice) e dentro das muralhas de Vyšehrad, em Praga.

Praga, Vyšehrad: estátuas originais da Ponte Carlos

Algumas das estátuas originais da Ponte Carlos: guardadas e seguras em Vyšehrad

Outra informação que muitos turistas não sabem é que, ao contrário do que está escrito nos livros e em todos os guias de viagem (e inclusive neste post, no texto ali em cima), a Ponte Carlos não tem 30 estátuas, mas 31.

A estátua-surpresa não está exatamente na ponte, está ao lado, na margem do bairro Malá Strana, mas faz parte do conjunto geral, foi colocada ali em 1884 e carrega uma lenda com ela.

A lista a seguir mostra cada uma das obras, o ano da sua instalação original, algumas histórias e suas posições na ponte, começando pelo lado da Cidade Velha (ou seja: caminhando em direção ao Castelo de Praga).

E se você quiser um guia para saber os nomes das estátuas enquanto estiver passeando pela ponte, clique aqui e baixe este PDF que o Insider Praga preparou para você.

1 – Direita: Madonna com o menino Jesus e São Bernardo (1709)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Madonna, menino Jesus e São Bernardo

1 – Esquerda: Santo Ivo (1711)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santo Ivo

2 – Direita: Madonna, São Domênico e São Tomás Aquino (1708)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Madonna, São Domingos e São Tomás Aquino

2 – Esquerda: Santa Bárbara, Santa Margarida e Santa Isabel (1705)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santa Bárbara, Santa Margarida e Santa Isabel

3 – Direita: Jesus Crucificado (1657), com Virgem Maria e São João Evangelista (1861)

Era nesse ponto que ficava a cruz de madeira dos tempos do rei Carlos IV. Mas ela obviamente teve que ser substituída várias vezes antes da chegada as estátuas atuais.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Jesus crucificado

Aqui, a história diz que as inscrições em hebraico junto à cruz (“Santo, santo, santo é Deus”) foram colocadas por ordem de um tribunal a um judeu tcheco que teria rido da estátua, em 1696. Anos depois ficou provado que ele havia sido vítima de uma armação e hoje existe uma placa explicando o caso para quem passa por ali.

3 – Esquerda: Pietà (1859)

Muitas pessoas foram julgadas nesse local. Os acusados de crimes que recusavam a confessar suas culpas, tinham mãos e pés amarrados antes de serem atirados na água. Aqueles que voltavam à superfície eram considerados inocentes. Já aqueles que não voltavam…

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Pieta

4 – Direita: Santa Ana (1707)

Ponte Carlos, em Praga: estátua Santa Ana

4 – Esquerda: São José com o menino Jesus (1854)

A original era de 1706, mas foi danificada por um tiro de canhão na revolução de 1848.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São José e o Menino Jesus

5 – Direita: São Cirilo e São Metódio (1928)

A estátua original que existia nesse local mostrava Santo Ignácio e era de 1711, mas caiu no rio durante uma enchente e foi levada para o Lapidário.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Cirilo e São Metódio

5 – Esquerda: São Francisco Xavier (1913)

A estátua original, de 1711, também caiu no rio durante uma enchente. Hoje está no Lapidário.

Ponte Carlos, em Praga: estátua São Francisco Xavier

6 – Direita: São João Batista (1855)

Ponte Carlos, em Praga: estátua São João Batista

6 – Esquerda: São Cristóvão (1857)

Ponte Carlos, em Praga: estátua São Cristóvão

7 – Direita: São Norberto, São Venceslau e São Sigismundo (1853)

Ponte Carlos, em Praga: estátuas de São Norberto, São Venceslau e São Sigismundo

7 – Esquerda: São Francisco Borja (1710)

8 – Direita: São João Nepomuceno (1683)

Foi a primeira estátua da Ponte Carlos.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São João Nepomuceno

João Nepomuceno era tcheco e, em 1393, era o vigário-geral do arcebispo de Praga.

Segundo a versão que ficou mais famosa, ele tomou uma confissão da rainha Sophia e se negou a contar os pecados dela para o rei Venceslau IV.

Furioso, o monarca ordenou que o futuro santo fosse torturado e jogado da ponte.

Ponte Carlos, em Praga: quadro de São João Nepomuceno

Obra “Martírio de São João Nepomuceno”, de Szymon Czechowicz – Museu Nacional de Varsóvia – Domínio público

Hoje, o local exato de onde ele foi jogado (entre as estátuas de São João Batista e de São Norberto, São Venceslau e São Sigismundo) tem um pequeno brasão com uma cruz arquiepiscopal. As pessoas acreditam que colocar a mão no brasão com os dedos tocando as cinco “estrelas” nas pontas da cruz faz com que um desejo se realize em um ano.

Ponte Carlos, em Praga: imagem de São João Nepomuceno

O local de onde S. João Nepomuceno foi jogado: você precisa tocar o brasão no parapeito da ponte, não na imagem da grade (mas pode tocar nela também, se quiser)

Outra crença, mais popular, diz que todos os visitantes de Praga devem tocar na imagem em bronze do santo sendo jogado no rio (apresentada em uma placa abaixo da estátua). Isso parece garantir que a pessoa volte a Praga.

Ponte Carlos, em Praga: lenda de São João Nepomuceno

Essa moça quase acertou: ela tocou a imagem da rainha, mas deveria ter tocado um pouco mais acima, onde o santo aparece caindo

E como as crenças urbanas não têm limites e nem versões oficiais, muitas pessoas acabam tocando também na outra imagem em bronze abaixo da estátua, onde um cavaleiro aparece com um cachorro (ao fundo, na foto acima). Dizem que isso traz sorte.

8 – Esquerda: Santa Ludmila (1720)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santa Ludmila

9 – Direita: São Antônio de Pádua (1707)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santo Antônio de Pádua

9 – Esquerda: São Francisco de Assis (1855)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Francisco de Assis

10 – Direita: São Judas Tadeu (1708)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Judas Tadeu

10 – Esquerda: São Vicente Ferrer e São Procópio (1712)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Vicente Ferrer e São Procópio

Foto: Zp – CC BY-SA 2.5

A estátua-surpresa: Bruncvík (lado esquerdo, fora da ponte)

Bruncvík é um cavaleiro lendário tcheco que, ao contrário dos outros cavaleiros europeus tem um leão aos seus pés.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Bruncvík

A história que “explica” a presença do bicho ali é grande, mas em resumo: Bruncvík queria um brasão diferente para a sua família e saiu pelo mundo. Em algum momento da viagem, ele ajudou um leão a matar um dragão de 7 cabeças e, em outro momento, recebeu uma espada mágica. Então voltou para Praga acompanhado do seu amigo felino e carregando a nova e magnífica arma.

A arma, aliás, estaria escondida em algum lugar da ponte e, caso Praga corra perigo, voltará às mãos do cavaleiro e ele salvará a capital tcheca do que quer que seja.

É mais ou menos isso.

11 – Direita: Santo Agostinho (1708)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santo Agostinho

11 – Esquerda: São Nicolau de Tolentino (1708)

A estátua original está no Gorlice, em Vyšehrad.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Nicolau de Tolentino

12 – Direita: São Caetano (1709)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Caetano

12 – Esquerda: Santa Lutgarda (1710)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santa Lutgarda

13 – Direita: São Filipe (1714)

É a única estátua de mármore na Ponte Carlos.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Filipe

13 – Esquerda: Santo Adalberto (1709)

A original também está no Gorlice, em Vyšehrad.

Ponte Carlos, em Praga: estátua de Santo Adalberto

14 – Direita: São Vito (1714)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Vito

14 – Esquerda: São João da Mata, Félix de Valois e Santo Ivã (1714)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São João da Mata, Félix de Valois e Santo Ivã

15 – Direita: São Salvador com São Cosme e Damião (1709)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Salvador com São Cosme e Damião

15 – Esquerda: São Venceslau (1858)

Ponte Carlos, em Praga: estátua de São Venceslau

 

Ponte Carlos: as torres

Elas são três: duas do lado do bairro Malá Strana e uma do lado da Cidade Velha. Foram construídas em épocas diferentes e servem como portões de entrada para suas respectivas regiões, sendo que a torre no lado da Cidade Velha já ajudou a evitar ao menos uma invasão da área. Você pode subir no topo de duas delas.

Torre da Ponte da Cidade Velha (Staroměstská mostecká věž)

É a mais antiga, do século 14. Suas fundações foram colocadas junto com as da própria ponte e seu projeto é do mesmo arquiteto.

Ponte Carlos, em Praga: A torre vista pela praça onde fica a estátua do rei Carlos IV

A torre vista pela praça onde fica a estátua do rei Carlos IV

No século 17, as cabeças de 12 líderes de uma revolução fracassada passaram 10 anos penduradas nela, como forma de aviso contra novas revoltas. No mesmo século, ela foi danificada durante uma batalha entre tchecos e suecos em cima da ponte e precisou ser reparada, quando sofreu modificações.

Torres da Ponte da Malá Strana (Malostranské mostecké věže)

A mais antiga é a menor, do século 12, construída antes mesmo da Ponte Carlos.

Ponte Carlos, em Praga: torres da Malá Strana

As torres da Malá Strana, com a Catedral de São Vito lá no fundo

Ela teve várias funções durante a sua vida, desde alfândega até prisão, e sofreu reformas mais fortes no século 16, quando ganhou o visual que vemos hoje.

Já a torre maior foi construída no século 15 e pode ser visitada – o que eu recomendo que você faça.

 

Ponte Carlos: outras lendas e histórias curiosas

Existem muito mais histórias populares ligadas à Ponte Carlos, além dessas envolvendo suas estátuas. Veja algumas.

Uma ponte ou uma receita culinária?

A lenda mais abrangente sobre a Ponte Carlos diz que o arquiteto dela resolveu adicionar ovos, vinho e leite à argamassa utilizada na sua construção, acreditando que isso faria a estrutura ficar mais resistente do que a da antiga ponte, que havia caído.

Então o rei ordenou que todas as cidades e vilas do reino enviassem seus ingredientes para Praga, mas uma delas se confundiu e enviou também um tanto de queijo cremoso, que acabou sendo adicionado à mistura.

Praga: Ponte Carlos vista de um barco no rio Vltava

660 anos em pé, graças a ingredientes culinários

A esposa do empreiteiro

Essa lenda tem algumas inconsistências históricas (para dizer o mínimo), mas vamos lá.

Segundo ela, um dos arcos da ponte desabou logo depois que o então vigário-geral João Nepomuceno foi jogado ao rio. Misteriosamente, nenhum construtor de Praga conseguia reconstruir o tal arco: ele sempre caía logo depois de ser reerguido.

Foi então que um último construtor surgiu determinado a fazer a obra. Ele tentou várias vezes sem sucesso, até que o diabo apareceu e fez uma proposta: ele ajudaria o homem a reparar a parte danificada, mas ficaria com a alma da primeira pessoa que cruzasse a ponte depois do serviço.

Ponte Carlos, em Praga: torres da Malá Strana à noite, com neblina

Vamos concordar que às vezes ela pode ser fantasmagórica

O construtor aceitou o acordo, mas achou que poderia enganar o diabo fazendo com que um galo atravessasse a ponte antes de qualquer pessoa. Só que o diabo não era bobo, obviamente.

No dia da reinauguração da ponte, quando ela ainda estava fechada e o construtor estava segurando o seu galo na extremidade da Cidade Velha, o belzebu assumiu a forma de um dos assistentes do profissional e foi até a esposa dele, dizendo que um acidente havia acontecido.

Desesperada, a moça correu para procurar o seu marido. E como ela estava no bairro Malá Strana, atravessou a ponte antes de todo mundo e teve a sua alma levada pelo diabo na noite seguinte.

A lenda vai ainda mais longe: ela estava grávida, por isso, a alma de um bebê assombrou a ponte por muito tempo, quando seus espirros eram escutados por quem passava por ela à noite. O pequeno fantasminha só conseguiu encontrar o caminho do céu depois que alguém ouviu o seu espirro e disse “Deus te abençoe”.

O alinhamento no solstício de verão

Não é uma lenda, não há histórias envolvendo ela (ao menos ainda não), mas é um fato interessante.

No solstício de verão, quem está na Ponte Carlos, embaixo da Torre da Ponte da Cidade Velha, vê o sol passar e se pôr exatamente atrás da Catedral de São Vito.

Ponte Carlos, em Praga: solstício de verão

O “fenômeno” em destaque no jornal Mlada Fronta Dnes, em 2017

Não há registro oficial de que essa coincidência tenha sido intencional, mas vale lembrar que a ponte e a catedral são obras do mesmo arquiteto e que o rei Carlos IV era um fã de astrologia.

É mais um dos tantos mistérios de Praga e, principalmente, da Ponte Carlos.

O dobro da largura

Depois da destruição causada pela enchente de 1890, a prefeitura de Praga considerou reconstruir a ponte com o dobro da largura, para que mais veículos pudessem passar por ela. Para a nossa sorte, o dinheiro para a obra não era o suficiente e a ponte ficou com sua largura original.

Ponte Carlos, em Praga: reconstrução em 1890

Reconstrução (com uma ponte provisória ao lado) depois da enchente de 1890: ainda bem que faltou dinheiro

 

Ponte Carlos: dicas

– Evite caminhar pela ponte a partir da metade da manhã e até o fim da tarde. Por ser um dos pontos turísticos mais populares da cidade, ela fica lotada de turistas e você não consegue curtir muita coisa.

– Para ver a ponte tranquila, levante da cama bem cedo (de preferência antes do sol). Com um pouco de sorte, vocês faz fotos sem ninguém mais.

Ponte Carlos com o castelo ao fundo, em Praga

Acordar cedo vale o esforço

– Outra forma de ver a ponte tranquila é passear por ela tarde da noite e até de madrugada. Exige um outro esforço, mas é maravilhoso.

Ponte Carlos, em Praga, à noite, no inverno

Vale, né?

– O inverno em Praga é o período com menos turistas na cidade. Suas chances de poder curtir a ponte com calma aumentam nessa época.

Praga com neve, no inverno

Não é irresistível?

– Suba em pelo menos uma das torres da ponte.

– Faça um passeio de barco para ver a ponte por baixo. Sim, vale a pena.

Praga: Ponte Carlos vista de um barco no rio Vltava

Para fazer um passeio em barcos maiores, recomendo a empresa Prague Boats. Mas se você quiser algo menor e antigo, vá de Prague Venice.

Dica: evite passeios longos nos barcos grandes. O Vltava tem desníveis e comportas. O sobe-desce por elas leva tempo e é acha entediante. Apenas 1h de passeio é mais do que bom.

• Prague Boats

Saídas no píer da Dvořákovo nábřeží, junto à ponte Čechův most

Parada de bondes Právnická fakulta

Prague Venice

Saídas no píer embaixo da Ponte Carlos

Praça Křížovnické náměstí 3

Estação de metrô e bondes Staroměstská (linha A, cor verde) ou parada de bondes Karlovy lázně

– Passeie por outras pontes da cidade ou pelo parque Letná para ver a Ponte Carlos inteira.

Ponte Carlos, em Praga: vista desde o parque Letná

A Ponte Carlos (e outras pontes do Vltava) vista de cima do parque Letná

 

Ponte Carlos: como chegar

É facílimo chegar na Ponte Carlos e existem muitas placas indicando o caminho desde vários pontos da Cidade Velha e do bairro Malá Strana (lembrando que as placas mostram Karlův most ou Charles Bridge). Basta seguir por elas.

Ponte Carlos, em Praga: placa de sinalização

É por aqui

Mas se você quiser ir direto, as paradas de bondes e metrô mais próximas são essas abaixo.

Estações de metrô:

• No lado do bairro Mala Strana: Malostranská (linha A, cor verde)

• No lado da Cidade Velha: Staroměstská (linha A, cor verde)

Paradas de bondes:

• No lado do bairro Malá Strana: Malostranské náměstí (mais próxima) e Malostranská

• No lado da Cidade Velha: Karlovy lázně (mais próxima) e Staroměstská

 

Ponte Carlos: para saber mais

Se você quiser saber muito mais sobre a Ponte Carlos, contrate uma guia tcheca falando português. O Insider Praga tem boas indicações (testadas e aprovadas!) para você.

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7 Comentários
 
  1. André Casanova 15 de julho de 2017 at 2:06 am Responder

    Entããããão, Gabe… é o pequeno que eu tb tenho que ganhei da Canon. Pelo street View reparei que o parapeito é bem largo e que possibilita essas fotos com a camera apoiada.

    Maravilha!!! E por falar em tripé… sóh mais uma pergunta: Kutná Hora, é bom levar um tripé ou é dispensável?

    • Gabe Britto 16 de julho de 2017 at 2:09 pm Responder

      Se você quiser fotografar as igrejas sem jogar o ISO lá em cima, vale levar, sim. A Igreja de Ossos proíbe fotos com tripés, mas eles só consideram os tripés grandes. Tem que ver o tamanho do seu (o meu tem uns 15 cm de altura e usei sem problemas). De qualquer maneira, esteja preparado: já vi alguns lugares que inventaram de dizer que nem tripés pequenos podem ser utilizados…

      • André Casanova 11 de agosto de 2017 at 1:36 pm

        O meu tripé é o amador wt3730, mas levarei ele mais pela Ponte Carlos para tirar fotos noturnas. Vou levar uma grande angular para pegar a cidade inteira. Falta pouco! ! ! !

  2. Andre Casanova 13 de julho de 2017 at 2:52 pm Responder

    Gabe,

    Parabéns, parabéns, parabéns e parabéns pelo artigo. Parabéns por disponibilizar o PDF.

    Só tenho uma pergunta (eu e minhas tantas perguntas, acho que sou o mais chato, né? rsrsrsrs):

    Onde pego o barco que você citou nesse guia?

    Abração!

    • Gabe Britto 13 de julho de 2017 at 9:57 pm Responder

      Hahahaha! Ótima pergunta, Andre!

      Como sempre, a primeira parte da resposta é: ainda pretendo escrever sobre isso, mas vai demorar.

      A segunda parte é: tem explicações no post Praga com Crianças, mas facilito e colo aqui (e logo colocarei ali no post, para já esclarecer para todos).

      • Passeio de barco pelo rio Vltava

      Para barcos maiores, eu recomendo a empresa Prague Boats. Mas se você quiser algo menor e antigo, vá de Prague Venice.

      Dica: evite passeios longos nos barcos grandes, porque o Vltava tem um desnível que exige o uso de comportas. O sobe-desce por elas leva tempo e fica entediante. Apenas 1h de passeio é mais do que bom.

      — Prague Boats
      Saídas no píer da Dvořákovo nábřeží, junto à ponte Čechův most
      Parada de bondes Právnická fakulta

      — Prague Venice
      Saídas no píer embaixo da Ponte Carlos
      Praça Křížovnické náměstí 3
      Estação de metrô e bondes Staroměstská (linha A, cor verde)

      Isso até me lembrou que posso colocar uma outra boa informação no post: como chegar na Ponte Carlos.

      Valeu pelo toque!

      Abraço!

      • Andre Casanova 14 de julho de 2017 at 12:15 pm

        Rsrsrsrs se bem que “Como chegar na Ponte Carlos” é algo que me aventurarei pelo Maps… RSRSRSRS

        Mas para fotos, qual dos dois barcos vc recomendaria?

        Posso mesmo levar meu tripézinho e minha T5i de boa para fazer aquela foto de madrugada?

        Abração, camarada!!!

      • Gabe Britto 15 de julho de 2017 at 1:18 am

        Certamente você pode levar qualquer tripé ou até fazer foto de madrugada sem tripé (tenho várias em que estava passando despreparado e só apoiei a câmera no parapeito). Eu inclusive tenho um tripé pequeno, para uso no dia a dia. 😉

        Sobre fotos no barco, o maior (Prague Boats) dá mais liberdade para você ir para um lado e outro. Talvez o pequeno dificulte essa movimentação, mas em compensação você vai estar mais perto da água, o que pode ser interessante nas imagens.

        Abraço! =)

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